quarta-feira, 11 de novembro de 2009

silent Alarm

Com o pesar da inutilidade no corpo repenso tudo outra vez e revejo o filme: as dualidades yin yang e luz-sombra sempre presentes e vivas, a traçar o trilho da jornada como bússolas imprescindíveis; o travo amargo do "tarde demais" e a dualidade prazer-pés na terra a arrombar a porta das traseiras - como de costume -, com uma graciosidade que traz as lágrimas aos olhos e um sentimento de impotência que pesa mais que o Mundo sobre os ombros de alguém.
Quando vou acordar?! Abrir os olhos não basta: é preciso erguer o corpo e abandonar o ninho confortável e convidativo (ao permanecer.
(apesar de tudo continuas a ser a luz mais azul...)

sábado, 31 de outubro de 2009

Excerto



Com a fotografia estonteante a toldar-me os olhos, arremesso a caneta e desato a escrever. Penso em modo 1000 rotações por segundo e revejo-nos, a nós e aos Outros. Revejo também o meu amor... será que foste Tu? Não sei - mais uma vez a minha mente tratou de apagar tudo com a borracha azul e vermelha..
Quero beijar cada cm, mm teu, ainda que não seja o mais correcto e moral - Onde tinha eu a cabeça? Relembro ainda o grande Deus Grego... Sinto a sua falta e tenho vontade de o abraçar, de súbito; mas só abraçar, que fique bem claro.
"Onde estava/estou? O que faço aqui?!"
19.09.09
(secalhar a culpa foi da quase-capicua.)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Trilhos

Com (tantos) novos projectos pela frente e com a ânsia inerente que lhes é tão típica, deixo-me sorver pela tempestade azul que hoje chegou.
o tempos e o(s) espaço(s) fundem-se com uma mestria invejável e digna e amor-ódio; será o tempo, as condições climatéricas ou o Lugar? Será a minha mente? Algo teima em elevar-me alto demais, despreocupado face à queda - ainda maior. A alma precisa de beleza e calma para descansar, sossegada(mente).
A ambivalência agri-doce que experimenta transmite-lhe medos mas, mais que isso, lições. Lições não-aprendidas, agora transformadas em erros sucessivos e já tão familiares; mas é com o cair que se aprende,a final: não importa quantas vezes caímos, algum dia havemos de aprender a lição e abandonar os trilhos enviesados e viciados, cravados na nossa mento como marcadores somáticos.
-A beleza cinza-verde da cidade acaba por sarar as feridas abertas, sempre; é o que (lhe) vale.
Agarra-se às suas máximas e ideais mais-que-enraizados, em busca de alento para a alma sem Norte. Fecha os olhos e tenta ressuscitá-los, a cada momento, para restituir o seu corpo de sentido pleno (...)
Enquanto a rapariga insolente e instigadora de imoralidades insistir em esconder-se no seu quarto não vai ter descanso.

domingo, 6 de setembro de 2009

departures

'dias úteis, são tão frágeis as verdades que se rompem com a aurora - quem as não remendaria?'

- no percurso de um só dia, deixou Tudo 'pra trás e desbravou o novo e selvagem trilho. caminhou serenamente no desfrutar do caminho, bebendo de um só trago a novidade; e assim como do tronco brota a folha, o sol foi o prenúncio do seu contentamento recém-nascido.
deleita-se com a fusão extasiante e assustadoramente harmoniosa dos segredos caracterísiticos de cada lugar, das espontaneidades que arvoram dos olhos atentos e curiosos, dos dialectos que no fundo, se complementam e dos sentimentos partilhados.
ajusta-se lentamente à engrenagem-paradigma do lugar, com as portas da mente e do espírito escancaradas; agora revitalizadas.
assiste à redenção do coração eremita ao hedonismo emocional e regozija-se consigo mesma.
(- afinal havia mais um bombom escondido debaixo da caixa vazia.)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

dias raros, como os ares rarefeitos

os tiros que se ouvem ao longe perfuram os tímpanos e atravessam, na horizontal, as várias cabeças, petrificando-as.

e no fundo, o que mais a cansa é o círculo vicioso que não se fecha (nunca) mais, persistindo, sem cessar, no seu frenesim habitual cansativo e esgotante. sente a cabeça a explodir e as lágrimas a cair, ao longo de todo o seu corpo, ensopando-lhe as entranhas, ao perpassar cada poro da sua pele, fazendo com que esta absorva as suas lágrimas venenosas - ou envenenadas? (já não lhe interessa).
'maybe, maybe they'll stay true', ouve, de mansinho, ressoar no fundo do baú. (re)abre os olhos e acorda, de uma vez. como será que tudo vai terminar? será que vai voltar? a alegria triste que sente ao recordá-lo provoca-lhe lágrimas tristes que não consegue travar. relembra tudo em flashbacks velozes e deixa de se reconhecer, por instantes. sai de si e flutua, regredindo no tempo e viajando ao seu sabor..
agora sabe aquilo que não quer; aprendeu-o com ele.

domingo, 7 de junho de 2009

'all for nothing'

estaca zero: mais um (a).


deixa-te sorver, imóvel, pela força magnética que te suga para o buraco negro. Respira uma última vez e sê livre, pelo menos uma vez.
ergue a tampa da caixa e encara-os de frente, de um só trago - já (não) era (sem) tempo -; olha-os nos olhos, tenta vê-los por dentro e decifrá-los. descodifica-os e desenlaça-os, despedaça-os, se for preciso, mas Liberta-te. liberta-te e vomita tudo o que tens para vomitar. grita, esperneia, berra até as veias da garganta se arvorarem e chora, se te convier. mas esvazia-te.
(deixa o pássaro azul pousado no teu ombro e segue viagem, depois, mais leve e aliviada.
Só faltou o sorriso .)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

ecos.

..

e com as pálpebras dormentes e cansadas do fumo da mente deixou-se sorver no fumo líquido e volátil que se dissolvia na atmosfera amena do quarto, de olhos bem fechados.. - mais uma vez.

(..)

os ecos de melodias passadas, pesados, não deixam de a perseguir compulsiva e avidamente, com sede de abutre; tenta contorná-los mas resulta sempre entropia caótica interior. afinal, o Quê? o porquê,não o encontra, só o como ou o quando.

os esqueletos imóveis, outrora trancados no armário, voltam a conseguir escapar e a deixar as habituais sequelas como legado memorável, a cada passo largo.
e de repente? (desvaneceu-se.)






domingo, 10 de maio de 2009

semente, A.

Assistindo ao perene escorrer do nosso percurso, reflicto e medito. - Terá todo este labirinto de acasos e acontecimentos sucedido por artifício de algo ou alguém?

Encerro as pálpebras por instantes e tento afastar-me de tudo o resto.
Ouço-te. Ouço-nos correndo por entre searas, de corações descompassados e apertados, devorando a seiva da vida que nos pertence.
Fica em mim essa doce reminiscência que me beija. Inefável como toda a alma o é.

sábado, 9 de maio de 2009

Palco(s)

A cortina desce, vermelha e pesada, e o palco é devorado pelo silêncio e pela serenidade. Permaneço sozinha, sentada precisamente no centro da plateia eremita, a escutar a peça trágica que decorre no meu interior.

Ouço os anjos e demónios que se debatem ferozmente, em busca de um consenso longínquo e improvável – os opostos dificilmente se encontrarão e cruzarão harmoniosamente, é algo que não condiz com a nossa essência.

Assisto, como quem “vê de fora”, à atribulada peça que se desenrola na minha cabeça. É como se saísse de dentro de mim e me fitasse demoradamente, me auto-observasse com olho cirúrgico e, de súbito, entendesse tudo.

A peça prossegue, dominada pela tragicidade que tão-bem a caracteriza.
Faço agora parte integrante dela, cabendo-me o papel mais insignificante e invisível de todos: encerro em mim toda a nulidade e pequenez possível e, ainda assim, sorrio.

Entendo, então, que a minha existência consiste num enredo dramático-trágico – à semelhança do que se passa no teatro e nos seus meandros – que se liga, todo ele, a partir de conexões inimagináveis; como se todos habitássemos numa mesma gaiola, abafada e pequenina, onde todos conhecem os rostos uns dos outros. Entendo-me e vejo-me, entorpecida e agitada, interior e simultaneamente; numa corrida furiosa constante e na estaca zero onde já conquistei lugar cativo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

madness' essay

ouço os passos em volta e percebo que muitas há de mim; cada uma delas deixada para trás, em cada momento e local especial (capacidade mutante-fascinante, esta, a do ser humano).

(Um dia azul, no outro verde - de início costumava desassossegar e assustar-me a mente, mas agora percebo que é parte da essência humana e, talvez por isso mesmo, incontornável;e nada disto é necessariamente mau. é Humano. carne esponjosa e porosa; vulnerável a intercâmbios osmóticos e simbióticos com tudo à sua volta. trocas e influências que nos moldam como sábios oleiros, que nos vão acrescentando sempre mais, seja verde, azul, violeta ou mesmo preto: fazem de nós aquilo que somos.)
Não, não acontece só aos outros. não era só Pessoa quem tiha tantos eu's distintos - por vezes contraditórios - : todos nós os temos, bem vivos e bem dentro de nós. simplesmente não os materializámos em obras de arte expostas (e partilhadas com o) ao mundo.
Nem todos somos génios como Pessoa. somos, indubitavelmente, loucos escondidos por entre as ranhuras dos nossos seres, sempre à espreita, a tentar provar a luz do dia, mas muitas vezes empurrados para trás, com olhar de desdém de um algum mocho severo que nos disciplina.
18.04.09

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Descartes


quando me sento, imóvel, frente à secretária e entro num mundo azul-verde-preto, repleto de cheiros e sons inaudíveis, aí chego a conclusões.

Nada do que alguma vez ousou trespassar a nossa mente é mais real que os sonhos aparentemente ilusórios que temos, revoltos entre os lençóis tão fartos de nós - tantas noites seguidas. Esses sonhos, por tantos ignorados, amarrotados ou mesmo rasgados e postos de lado; esses demónios que por (tantas) vezes atormentam mas que tantas outras vestem a pele de cordeiro, da qual rompem asas de tons angelicais, esses sim representam conhecimento e entendimento humano. Esses sim decifram os enredos e peles de cada um de nós.
De lado a realidade translúcida e palpável - nem sempre o que é claro é transparente.
Deixemo-nos dissolver em quimeras perdidas e deixar voar a chave...
(coço o nariz e franzo as sobrancelhas.)
afinal, o Quê?

sexta-feira, 20 de março de 2009

your eden

-o que tens hoje? - sussurrou.
-nada.
-nada?
-sim. é esse mesmo o problema.
(...)

-vazio pesado. é esse o problema.


e saiu a correr, de lenço esvoaçante a chicotear-lhe o ombro e a alma. perdida no tempo. mais uma vez..

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

varanda parisiense

O dia nasce e o sol queima as portas envidraçadas. os corpos exaustos perecem, abraçados e de almas entrelaçadas, no sossego plácido da manhã e sem dar pelo nascimento soberbo da estrela mãe, que marcou o fim da noite anterior.

a rua conhece a sua agitação matinal: os passos apressados e descompassados, o ruído rouco dos automóveis e o cheiro a combustível que se consegue escapulir através dos seus tubos (de escape) dão de si. No segundo andar, na casa com a varanda parisiense sob a rua típica, impera uma harmonia pintada de azul e perfumada de ventura. Lá, consegue respirar-se a delicada quietude do amor celestial que refresca os pulmões ao inspirar.

a indiana é acordada pela brandura do beijo do principezinho e ambos pensam estar ainda a sonhar. Deleitam-se, ainda assim, com a beleza estonteante de toda aquela atmosfera sublime que os cerca e gozam da sua existência terrena como quem goza da tragicidade do palco (da vida).


percorrem todas as ruas, ruelas e recantos da cidade com as mentes de mãos dadas e as almas sintonizadas; param, por vezes, para observar alguma iguaria da metrópole, outras para se esquecerem de tudo e todos à sua volta. Sentem já a cidade como sua. cada sítio onde estiveram se encontra inexoravelmente marcado pela sua presença. gravado na sua memória - para sempre...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

uníssonos

sentada em frente à cómoda obsoleta - mas perfumada -, olhou-se demoradamente através do espelho que se encontrava à sua frente. Iniciou o ritual de todas as noites: vestiu-se, vagarosamente e com detalhe e leveza; ergueu os braços esguios e amarrou, com argúcia, uma grande e densa madeixa de cabelo a um gancho que sempre lhe arrefecia as mãos; de novo sentada, de frente para a cómoda, voltou a observar o seu reflexo no espelho trabalhado - onde estaria, agora? vaporizou um pouco de água de colónia sobre os pulsos e pousou o frasco. afinal, 'praquê tudo aquilo?
a porta bate com força e os pés já chapinham lá fora, enlameados, em direcção a uma Terra do Nunca que ninguém sabe onde fica.
Hoje foi uma noite diferente. O coração eremita recebeu calor e alento, mais uma vez em ambientes confusos e difusos, não desvirtuando este facto, de todo, a pérola brilhante nos seus olhos. Em Uníssono.
Mais uma noite de sono tranquila e reanimada. Mais os fogos-de-artifício dia e noite, as estrelas no reflexo do olhar e os cabelos perfumados ao vento, viajantes. Agora libertos e oxigenados..
Guarda escrupulosamente as duas pérolas na caixa mais especial que encontra e esconde-a debaixo da sua cama, fechada com amor.
Amanhã é outro dia
.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Dali's silver spoon

as toadas e cânticos anteriores acabam sempre por retornar à caixinha (cheia) de surpresas. agarrados a si trazem memórias. memórias carregadas de momentos, gestos e olhares.
e as músicas repetem-se...

imagino corações eremitas pendurados em ramos de árvores; sorrisos esquecidos sob a sombra de um sobreiro; olhares esquivos, agora transformados em poeira dos dias.
ante todo esse quadro surrealista, vejo também corpos. corpos intertes que jazem, por todo o lado, sob árvores transgénicas oriundas dos vários pomares das redondezas. no que resta desses corpos, vejo, um por um, a tristeza que lhes inunda os olhos difusos.
as mãos frias e cheias de nada..
o que mais me aborrece é pass(e)ar pelas ruas nuas e sujas e ter de ver todos esses pedaços de corpos em todo o lado, sob árvores ruidosas, matizadas de tons metálicos, de olhos vazios e longínquos, entregues a memórias e cânticos ancestrais.
a minha mente é apelidada de demente e estouvada por sonhar algo tão surrealista e improvável, mas o realismo mais distintivo do ser humano é, sem dúvida, o Surrealismo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

estouvada.mente

neste momento estou extremamente irritada porque tinha acabado de escrever um post e, não sei como, saí da página e perdi-o. esvoaçou janela fora.

tentei, em vão, re-escrevê-lo (ideia estúpida), o que me deixou ainda mais irritada.
mas trouxe-me a bom porto: percebi que a criatividade humana e os momentos imaginativos em que a mente se expande são realmente momentos únicos, irrepetíveis e impossíveis de ser reproduzidos, nem mesmo pela própria cabeça de onde saíram. irónico e bonito, não?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Há dias assim

quando já não resta mais ninguém, quando as paredes e a atmosfera se enchem de vazio azul, quando tudo é cobrido por um silêncio incrível e voraz, aí só resta ela. ela e só ela; à mercê dos seus gritos e tempestades interiores. gritos que não se ouvem e tempestades sem chuva - apenas iluminadas por trovões radiosos.

ouve-se o som da porta a fechar, ruidosa, e da chave a rodar na fechadura. sentada de pernas à chinês, encostada a uma parede branca-cor-de-laranja e com a cabeça a pender para um dos lados, repara, um por um, em todos os detalhes característicos daquele cúbiculo, e pensa como tudo poderia ter sido arranjado e organizado de forma tão diferente. não fossem as nossas criações fruto de circunstâncias momentâneas e efémeras. um minuto a seguir, e tudo se teria feito de forma completamente diferente.

no país vizinho, alguém martela a cabeça com labirintos sem caminhos concretos e sem início, meio e fim. alguém pede desculpas evitáveis por esboços borrados que não se apagam, muito menos têm (re)solução.
a rapariga de pernas sentadas à chinês ecnontra-se agora deitada na tijoleira que lhe arrepia a pele, enquanto contempla as fotografias antigas coladas no tecto. gravuras que encerram em si sentimento e momentos amenos. abre os olhos e percebe que não há fotografias, só postais e posters comerciais.
recompõe-se e acende um cigarro. abre a janela e conta as estrelas. hoje estão mais brilhantes que o habitual e a lua cada vez mais pequena - irónico. não gosta destas noites, em que a lua se encontra em fase (de)crescente, dá-lhe a sensação de estar a desaparecer, aos poucos..
desistiu de manter o estado de vigília, deixando-se agora sorver por momentos e silêncios. folhas rabiscadas esquecidas em cima da escrivaninha e isqueiros sem gás, por todo o lado. apaga o cigarro no cinzeiro metálico e volta a fechar a janela. abraça-se a si mesma, enrodilhada e de cabeça escondida, enquanto as lágrimas chegam, brandas e apaziguadoras. o tempo não volta atrás, muito menos deixa espaço para segundas oportunidades. o travo amargo do 'tarde demais' há-de surgir, com toda a sua magnificiência, algum dia, à nossa porta. os 'nada é impossível' deixaram de fazer sentido para aquela mente utópica e sonhadora. hoje acordou e percebeu que existe um mundo concreto lá fora e que as ilusões fazem parte das brincadeiras de criança.
não se sente melhor quando se afunda em édens líquidos e fumos gasosos. o mundo muda, por instantes, mas um segundo e a Realidade atroz regressa, mais violenta e sádica do que antes. o Tempo mais ambicioso e ganacioso que nunca, como que um guarda-sombra. as pessoas à sua volta permanecem na mesma, senão mais disformes ainda. mais odiosas e insuportáveis.
há dias em que quer gritar aos ouvidos de todos os estranhos com quem se cruza na rua, gritar-lhes injúrias e desonras que os magoem e os deixem feridos e vulneráveis. dias em que suspeita de toda a gente e que julga que o mundo inteiro se uniu contra si, em constante conspiração, (com segredos ao ouvido, e tudo) ; há dias em que simplesmente desiste de tudo, e se deixa ficar de pantufas todo o dia, esquecendo que existe uma realidade palpável lá fora.
Há Dias.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

inject

your soul with liberty (salvation is free).









P.S.:falta-me ar

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O para.peito

Abro um novo capítulo no livro já gasto e amolecido pelo tempo. Deixo que a mão se funda no papel húmido e obsoleto; desfaço os nós da garganta e deixo que os novelos se deslacem com a delicadeza que lhes é tão característica.
Desacorrento a alma e deixo-a voar, misturar-se com o ar e respirar. Finalmente.

Permito-me a falar, de forma ordeira e civilizada, comigo mesma, agora a sós.
Abandono os sonhos, há tanto embrulhados em papel de lustro, à espera de ser abertos. Abandono-os para que possam, finalmente, levitar e alcançar o seu destino…
Afinal, de tanto os proteger dentro de uma redoma tão sufocante quanto impenetrável, sempre os espartilhei, ao invés de, pelo menos (!), os concretizar, para que ganhassem vida. Finalmente.

Liberto também os fantasmas em forma de esqueletos pendurados no armário. Já não preciso deles. Sempre mantivemos uma relação de dependência ambivalente. Se me escapavam, insistia em trancá-los de volta no armário; se lá permaneciam, sufocava-me a mim mesma com a sua presença…






(...)












Repouso a mente no parapeito do terraço e deixo-me absorver pelos cheiros, cores e texturas da atmosfera. Dentro das cores, reparo nas tonalidades – as doces tonalidades. Desassossego-me com a sua beleza…
Lembro-me do senhor dos ovos verdadeiros e da rapariga das mãos (sempre) frias. Inspiro, expiro e suspiro, com os olhos cerrados de êxtase.

queria andar sempre de mão dada com aquele sorriso triste e com aquela melancolia pesada nos olhos. Afinal, quem não se comove com tristezas? Tocam-nos, não só pela intensidade, mas acima de tudo pela sua beleza delicada, que tão-bem nos deleita… nada de sadismos; e tudo isto também não é para compreender.



*