sexta-feira, 8 de maio de 2009

madness' essay

ouço os passos em volta e percebo que muitas há de mim; cada uma delas deixada para trás, em cada momento e local especial (capacidade mutante-fascinante, esta, a do ser humano).

(Um dia azul, no outro verde - de início costumava desassossegar e assustar-me a mente, mas agora percebo que é parte da essência humana e, talvez por isso mesmo, incontornável;e nada disto é necessariamente mau. é Humano. carne esponjosa e porosa; vulnerável a intercâmbios osmóticos e simbióticos com tudo à sua volta. trocas e influências que nos moldam como sábios oleiros, que nos vão acrescentando sempre mais, seja verde, azul, violeta ou mesmo preto: fazem de nós aquilo que somos.)
Não, não acontece só aos outros. não era só Pessoa quem tiha tantos eu's distintos - por vezes contraditórios - : todos nós os temos, bem vivos e bem dentro de nós. simplesmente não os materializámos em obras de arte expostas (e partilhadas com o) ao mundo.
Nem todos somos génios como Pessoa. somos, indubitavelmente, loucos escondidos por entre as ranhuras dos nossos seres, sempre à espreita, a tentar provar a luz do dia, mas muitas vezes empurrados para trás, com olhar de desdém de um algum mocho severo que nos disciplina.
18.04.09

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