terça-feira, 27 de janeiro de 2009

uníssonos

sentada em frente à cómoda obsoleta - mas perfumada -, olhou-se demoradamente através do espelho que se encontrava à sua frente. Iniciou o ritual de todas as noites: vestiu-se, vagarosamente e com detalhe e leveza; ergueu os braços esguios e amarrou, com argúcia, uma grande e densa madeixa de cabelo a um gancho que sempre lhe arrefecia as mãos; de novo sentada, de frente para a cómoda, voltou a observar o seu reflexo no espelho trabalhado - onde estaria, agora? vaporizou um pouco de água de colónia sobre os pulsos e pousou o frasco. afinal, 'praquê tudo aquilo?
a porta bate com força e os pés já chapinham lá fora, enlameados, em direcção a uma Terra do Nunca que ninguém sabe onde fica.
Hoje foi uma noite diferente. O coração eremita recebeu calor e alento, mais uma vez em ambientes confusos e difusos, não desvirtuando este facto, de todo, a pérola brilhante nos seus olhos. Em Uníssono.
Mais uma noite de sono tranquila e reanimada. Mais os fogos-de-artifício dia e noite, as estrelas no reflexo do olhar e os cabelos perfumados ao vento, viajantes. Agora libertos e oxigenados..
Guarda escrupulosamente as duas pérolas na caixa mais especial que encontra e esconde-a debaixo da sua cama, fechada com amor.
Amanhã é outro dia
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3 comentários:

Kiddo disse...

gosh tu escreves tãããão bem!

Kiddo disse...

eu tenho pena é do Jonas, no meio daquela gente maluca :p
não é nada exagero sóça, a sério. adoro a forma como escreves, as palavras que usas :)
tocam, mesmo

K. disse...

adoro essa tua forma de escrever. sabes isso.

(também a invejo).